Josué e as muralhas de Jericó

                                                  Josué e as muralhas de Jericó

Da
origem e juventude desse homem com missão tão providencial, nada se sabe.
                                               A
Bíblia só nos diz que é “filho de Nun”, “da tribo de Efraim”.

Sua
entrada no cenário bíblico, que ele iria engrandecer com sua presença, é
apresentada como fato consumado: “Escolhe homens”, diz-lhe Moisés, “e
vai combater contra Amalec
” (Ex. 17, 9); o que mostra que Josué era muito
chegado ao grande Profeta. Aliás, pouco depois é chamado de “ministro de
Moisés
” (Id., 24, 13), com quem subiu o Monte Sinai. Sabemos também que,
quando o grande legislador entrava no tabernáculo para falar com Deus “face
a face, como um amigo costuma falar com seu amigo”
, “quando voltava para
os acampamentos”
, o seu jovem servo Josué, filho de Nun, não se apartava
do tabernáculo”
(Id., 33, 11).

“Valente
na guerra, penetrante e sábio no conselho, manejando os espíritos com destreza
e a palavra com eloqüência, ele tinha fixado a atenção de Moisés: foi eleito do
Alto para continuar a obra desse grande homem, e sustentou a honra de uma tal
escolha pela firmeza de seu caráter e heroísmo de seu devotamento”
*.

Josué
era pois um filho espiritual, discípulo de Moisés, e estava sempre a seu lado.
Este chegou mesmo a mudar-lhe o nome, de Oséias, para Josué (Num. 13, 16), que
quer dizer “Javé é a salvação”, quando o mandou com outros reconhecer a
terra de Canaã.

Quando
se tratou de escolher um sucessor para Moisés, uma vez que ele não entraria na
terra prometida, disse-lhe o Senhor: “Toma Josué, filho de Nun, homem no
qual reside o
(meu) espírito, e põe a tua mão sobre ele. Ele estará
diante do sacerdote Eleazar e de toda a multidão; e tu lhe darás os preceitos à
vista de todos, e uma parte da tua glória, para que toda a congregação dos
filhos de Israel o ouça
” (Id., 27, 18 a 20).

Pouco
depois Deus começará a falar diretamente a Josué: “O Senhor disse a Moisés: eis
que se avizinham os dias da tua morte; chama Josué e apresentai-vos no
tabernáculo do testemunho para eu lhe dar as minhas ordens
”. Depois de
dadas as diretrizes, “o Senhor ordenou a Josué, filho de Nun, e disse-lhe: tem
coragem e sê forte, porque introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes
prometi, e Eu serei contigo
” (Deut. 31, 14 e 23).

À
morte de Moisés, “Josué, filho de Nun, foi cheio do Espírito de sabedoria,
porque Moisés lhe tinha imposto as suas mãos. Os filhos de Israel
obedeceram-lhe e fizeram como o Senhor tinha mandado a Moisés”
(Id. 34, 9).

Pouco
depois o Senhor diz a Josué: “Meu servo Moisés morreu; levanta-te e passa o
Jordão, tu e todo o povo contigo, entra na terra que eu darei aos filhos de
Israel. Todo lugar onde pisar a planta do vosso pé, eu vo-lo darei, como disse
a Moisés. Ninguém vos poderá resistir em todos os dias da tua vida; como fui
com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem desampararei. Tem ânimo e
sê forte … e reveste-te de grande fortaleza para observar e cumprir toda a
lei que Moisés, meu servo, prescreveu … não tenhas medo nem temor, porque o
Senhor teu Deus está contigo em qualquer parte para onde fores
” (Jos. 1,
2-9).

Confortado
assim com as promessas do Criador, Josué mandou alertar o povo que fizesse
provisão de mantimentos, porque dentro de três dias passariam o Jordão para
entrar na posse da terra reservada pelo Senhor.

Entrementes,
enviou dois espiões a Jericó para verificar as fortificações. Estes entraram
numa casa junto ao muro da cidade, pertencente a uma mulher de má vida, que os
escondeu quando foi dado o alarme. Os soldados do rei local não os encontraram
e saíram à sua procura além das muralhas; a mulher disse então aos espiões
israelitas que sabia que Deus estava com eles, e que conquistariam o país. E
que, como ela tinha usado de misericórdia para com eles, que usassem então de
misericórdia para com ela e os seus, poupando sua família e bens quando
entrassem na cidade. Os israelitas deram-lhe um cordão vermelho para amarrar à
janela de sua casa e nela reunir todos os seus parentes, que seriam poupados.

Israelitas
atravessam o Jordão a pé enxuto

No
terceiro dia, quando os israelitas chegaram ao Jordão, o Senhor ratificou o
pacto com Josué, dizendo-lhe: “Hoje começarei a exaltar-te diante de todo o
Israel, para que saibam que, assim como fui com Moisés, assim sou contigo

(Id. 3, 7).

Por
orientação de Deus, Josué mandou que os sacerdotes, levando a Arca da Aliança,
atravessassem o rio. Assim que eles molharam os pés nas margens alagadas do
Jordão, as águas interromperam seu curso e começaram a levantar-se
verticalmente, enquanto o resto seguia seu leito normalmente; de maneira que em
pouco tempo apareceu o leito do rio, que os israelitas passaram a pé enxuto
como outrora haviam feito no Mar Vermelho.

Esse
estupendo milagre serviu para consolidar a confiança dos hebreus em seu novo
chefe, devido aos prodígios por ele operados, como outrora os de Moisés. Ao
mesmo tempo encheu de terror as populações vizinhas.

Seguindo
ainda as recomendações divinas, para comemorar o milagre, Josué mandou pegar 12
pedras do leito do rio e as dispor na margem, como um monumento eterno do
ocorrido. Com o mesmo intuito, pôs também outras 12 no leito do rio, no lugar onde
tinha parado a Arca da Aliança.

Por
ordem de Deus, Josué mandou circuncidar todos os varões, pois os que haviam
nascido no Egito e tinham sido circuncidados haviam morrido no deserto; e os
que neste haviam nascido não tinham sido ainda circuncidados.

Como
já tinham os frutos da terra para comerem, parou também de cair o maná.
Celebraram aí a primeira Páscoa na Terra Prometida.

 

                                        Trombetas
derrubam as muralhas de Jericó

Estando
Josué examinando as muralhas de Jericó, apareceu-lhe um Anjo do Senhor com a espada
desembainhada. Perguntou-lhe Josué quem era, e ele respondeu-lhe: “Sou o
príncipe do exército do Senhor, e agora venho
”; quer dizer: venho, da parte
do Senhor, auxiliar-vos na batalha.

Jericó
estava bem fortificada e parecia inexpugnável. Mas o Senhor explicou a Josué
como tomá-la: “Dai a volta à cidade, vós todos os homens de guerra, uma vez
por dia; assim fareis durante seis dias. E no sétimo dia os sacerdotes tomem as
sete trombetas de que se usa no jubileu, e vão adiante da Arca da Aliança; e
rodeareis sete vezes a cidade, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E quando o
som das trombetas se fizer ouvir mais demorado e penetrante e vos ferir os
ouvidos, todo o povo à uma levantará um grande clamor, e cairão os muros da
cidade até os fundamentos, e cada um entrará por aquele lugar que lhe ficar
defronte
” (Id., 6, 1 a 5).

Isso
seguido à risca, deu-se o milagre da queda das muralhas, e Jericó foi
conquistada. Como aconteceria depois com todas as cidades subjugadas, sua
população foi passada a fio de espada — menos a mulher que escondera os espias,
bem como seus familiares — e a cidade queimada.

A
fama do milagre do Jordão, visto de muito longe, e o da queda das muralhas e
subseqüente conquista da cidade, divulgou-se por toda a região e fez tremer os
povos vizinhos.

Mas
nem tudo correu para os israelitas como esperavam. Um deles violou o mandamento
e apossou-se de parte dos despojos. Com isso atraiu a ira de Deus, o que fez
com que numa próxima campanha, contra a cidade de Hai, os israelitas voltassem
as costas e perecessem quase todos.

O
Senhor comunicou a Josué a causa da derrota: “— Israel não poderá ter-se
diante dos seus inimigos e fugirá deles, porque se manchou com o anátema; eu
não serei mais convosco enquanto não exterminardes aquele que é réu desta
maldade
” (Id. 7, 12).

Descoberto
o culpado, ele, sua família e pertences, inclusive gado — segundo as rigorosas
leis do Antigo Testamento — foram dilapidados e seus pertences queimados. Aí,
outra vez alentado por Deus, Josué e os seus, usando de um estratagema,
conquistaram a cidade de Hai e passaram todos os seus habitantes a fio de
espada.

Auxiliados
por Deus, e dirigidos por um general habilíssimo como Josué, os israelitas
prosseguiram a série de campanhas vitoriosas para a conquista de toda a Terra Prometida.
Começando pelo sul, com a tomada de Jericó e de Hai, venceram também em Gabom
cinco reis amorreus coligados contra eles. Quando parte deste exército fugia
dos israelitas, Deus mandou forte chuva de graúdos granizos, que matou muitos
dos soldados inimigos.

                                                             Josué
manda parar o sol

Como
estava escurecendo e a batalha não havia terminado, Josué, sabendo que tinha o
aval de Deus, voltou-se para o céu e ordenou: “Sol, detém-te sobre Gabaão; e
tu, lua, sobre o vale de Ajalão
” (Id. 10, 12). E operou-se esse milagre
estupendo, que permitiu aos israelitas terminar sua batalha em plena claridade.
Assim, vencidos os exércitos, os habitantes das cinco cidades foram mortos e as
cidades incendiadas.

Outras
cidades da Palestina meridional caíram também nas mãos dos invencíveis
israelitas de então.

Josué
empreendeu a conquista da Palestina do norte. Houve também uma coligação de
reis de várias cidades, formando contra os hebreus “uma multidão tão
numerosa como a areia que há sobre a praia do mar, um número imenso de cavalos
e carroças”
. Mas o Senhor disse a Josué: “— Não os temas, porque amanhã
a esta mesma hora Eu os entregarei todos a Ti, para serem passados à espada à
vista de Israel
” (Id. 11, 4-6).

E
foi o que sucedeu. Josué “tomou, feriu e devastou as cidades circunvizinhas,
os seus reis, como lhe tinha ordenado Moisés, servo do Senhor”
(Ib. 12).

Era
lei comum na época que os vencidos de guerra fossem mortos ou escravizados.
Ademais, no caso dos hebreus, tendo eles recebido preceitos divinos, poderiam
facilmente contaminar-se com as abominações praticadas por aqueles povos
pagãos, caso convivessem com eles. Foi, aliás, o que ocorreu em mais de um
episódio relatado na Bíblia.

                                                        Terra
Prometida dividida entre as 12 tribos

Assim
Josué conquistou “todo o país montanhoso e meridional, a terra de Gosen, a
planície, a parte ocidental, o monte de Israel, as suas campinas”
(Ib., 16)
e muitas outras terras. Venceu também os reis da Transjordânia e os de Canaã,
liberando assim toda a terra prometida por Deus a Moisés.

De
acordo com o estipulado pelo Senhor, Josué fez a divisão dessas terras pelas
tribos dos hebreus, sendo que já as tribos de Ruben e Gad e a meia tribo de
Manassés haviam tomado posse da terra que lhes havia sido dada por Moisés, na
outra margem do Jordão.

“O
Senhor Deus deu a Israel toda a terra que tinha prometido com juramento a seus
pais que lhe daria, e eles possuíram-na e habitaram nela”
(Id. 21, 41).

Josué
“estava velho e avançado em idade”. Calcula-se que ele tinha quarenta
anos, quando começou o Êxodo; passou mais quarenta no deserto. Com oitenta,
começou a campanha de conquista da Terra Prometida, vivendo mais trinta. Estava
pois com cento e dez anos quando morreu. “Israel serviu ao Senhor durante
todo o tempo da vida de Josué e dos anciãos que viveram muito tempo depois de
Josué, e que sabiam todas as obras que o Senhor tinha feito em Israel”

(Id., 24 31).

 

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